As glosas de procedimentos médicos executados pelos prestadores de saúde, que são as recusas de pagamento por parte das fontes pagadoras (planos de saúde), asfixiam o fluxo de caixa dos prestadores e deterioram o relacionamento dos agentes. É compreensível haver problemas técnicos ou administrativos em algumas transações, onde a glosa torna-se inevitável. Porém, a realidade atual mostra patamares de glosas superiores ao que seria compreensível para a maioria dos profissionais do mercado de saúde brasileiro. 


Focando nossa análise apenas no mercado brasileiro de medicina diagnóstica, para exemplificar o tema, segundo os dados da Abramed, houve uma piora no cenário de glosa para as empresas do setor, atingindo 4,1% em 2017 ante 2,5% em 2015. Se considerarmos as glosas iniciais, aquelas que chegam no primeiro retorno das fontes pagadoras, este percentual é bem maior. 


No mesmo período, o prazo de recebimento das empresas de medicina diagnóstica junto às fontes pagadoras aumentou 7,4 dias, saindo de 54,5 dias em 2015 para 61,9 dias em 2017. Em outras palavras, os prestadores estão tendo cada vez mais contas recusadas pelas fontes pagadoras e demorando cada vez mais para receber pelos serviços prestados.

Este cenário obriga os prestadores a ser mais eficientes, especialmente na conciliação das contas médicas e preparação de recursos de glosa. A otimização da gestão de contas médicas, envolvendo o uso de robotização e inteligência artificial, estão bastante acessíveis e permitem aos prestadores agir rapidamente para provar que a cobrança é devida, reduzindo o patamar de glosas e deixando a operação financeiramente saudável.


Sim, as glosas médicas podem e devem ser reduzidas. Sabemos que não é uma tarefa simples e rápida, mas os benefícios para o fluxo de caixa dos prestadores justificam os esforços e o investimento.

Fonte: Painel Abramed 2018